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Adoção: a chance para a mulher
exercer o sonho da maternidade |
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DIA DAS MÃES — Principal preocupação de mães adotivas é se família biológica vai requerer o filho |
Entre a vontade de adotar um filho e a decisão de ingressar com uma solicitação judicial para adoção, uma série de dúvidas e preocupações cercam os pretensos pais adotivos.
Os questionamentos mais comuns, segundo a promotora Renata Catalano Rios, é se a criança vai ter algum problema — de saúde ou comportamento — e se os pais biológicos vão ficar atrás da família adotiva. “Garantindo que, após a adoção, a família biológica não tem mais vínculo com a criança, eles ficam mais tranqüilos”, constatou a promotora.
Ela explicou que para a adoção ser permitida é necessário a destituição do poder familiar. Essa ação retira os vínculos da criança com a família biológica. Só depois disso a criança pode ser adotada por outra família.
Segundo a promotora, há dois tipos de adoção. A primeira é denominada intuito persone e ocorre quando a família biológica indica a adotiva. “É pouco usada, mas acontece quando a mãe quer uma vida melhor para o filho do que ela pode oferecer. Nesse tipo de adoção, a criança só pode ser adotada pela família indicada pela mãe biológica”, diz Renata.
A ação por intuito persone costuma ser mais rápida porque não há contestação dos pais sobre a perda do poder familiar da criança — uma das principais causas da demora no processo de adoção.
O outro tipo de adoção é quando a família abandona a criança ou quando os pais não agem de acordo com as necessidades do filho, como casos de violência, falta de alimentação adeqüada, falta de boas condições de higiene e ausência de ambiente considerado saudável. Esse tipo de ação costuma demorar mais porque a família biológica pode contestar a destituição do poder familiar. Durante o processo, a criança pode ser encaminhada a entidades ou um lar provisório até a conclusão da adoção.
Procedimentos — Quando a família tem interesse em adotar uma criança deve procurar o Cartório da Infância e Juventude no fórum e se informar sobre a documentação necessária para fazer parte de um cadastro. Após apresentar os documentos, os prováveis pais adotivos passam pela avaliação de um psicólogo e de um assistente social. “Talvez para a mãe adotiva resolva um problema, mas para a criança cria um encargo. Muitas vezes essa mãe que perdeu um filho quer botar outro no lugar. Então, essa criança já entra na família com essa carga negativa”, citou Renata.
As adoções, de acordo com a promotora, obedecem a ordem de inscrição no cadastro. As exceções são para casos de “intuito persone” ou quando a família adotiva já tem uma relação afetiva com a criança a ser adotada. “É comum famílias se afeiçoarem a crianças de entidades assistenciais. Então, se já existe uma história entre a criança e os pais adotivos, eles têm prioridade na adoção, mas é importante que preencham os requisitos, como documentação e análise sociopsicológica”, esclarece Renata.
A promotora observou que ainda existe um preconceito na adoção. Crianças com mais de três anos ou com alguma deficiência dificilmente são adotadas, a não ser por casais estrangeiros. “Eles têm outra concepção para adoção. Não se preocupam se a criança é bonita, tem olho azul, se parece com os pais adotivos. Buscam adotar alguém que está precisando”, compara Renata.
No caso de adoção internacional, a promotora informa que há um controle de um órgão do Judiciário em São Paulo — a Comissão Especial de Adoção Internacional (CEAI).
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"Quis o meu filho adotivo,
mesmo sendo excepcional" |
A professora Rosa Maria Siuffa Alves da Silva lembra que foi necessário muita coragem para vencer o temor de não conseguir cuidar de forma adeqüada do filho adotivo Rodrigo, hoje com 15 anos. O medo de Rosa era porque o filho, desde bebê, tem hidrocefalia (anomalia caracterizada pelo acúmulo de líquido no crânio e aumento da cabeça).
Rosa e o marido conheceram Rodrigo quando ele tinha um mês e havia sido deixado pela mãe biológica num hospital. “Entramos com o processo de adoção no fórum e |
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conseguimos a guarda provisória. Levamos o Rodrigo a vários médicos e ele passou por uma cirurgia para a colocação de uma válvula no cérebro. Foi um período muito difícil porque ninguém, até mesmo médicos, entendia como nós tínhamos adotado uma criança excepcional. No fórum me diziam que eu poderia devolver. Jamais faria isso”, lembra Rosa.
Para vencer o medo, ela e o marido se cercaram de muitos cuidados na criação de Rodrigo. Desde pequeno, todos os procedimentos — como tratamento, medicamentos, alimentação e alterações do filho — são anotados.
De acordo com médicos que consultou, a hidrocefalia no caso de Rodrigo pode ter várias causas. A mais provável é de que tenha sido causada por uma tentativa de aborto.
Rosa decidiu adotar uma criança após ter três gestações mal sucedidas. “Sempre gostei muito de criança e desejava ter vários filhos, mas decidi não adotar outros para oferecer dedicação total ao Rodrigo. Me realizei como mãe com ele”, conta a professora. “Acho que se ele fosse meu filho biológico, talvez nossa ligação não fosse tão forte”, emenda. |
Mãe diz que valeu a pena
aguardar processo de adoção
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A dona-de-casa Denise de Fátima Campos Covolan, 33, aguardou quatro anos entre a decisão de adotar um filho e a sentença judicial concedendo a adoção. “Valeu a pena porque hoje tenho a segurança de que ninguém pode tomar minha filha”, diz Denise.
Ela já tinha um filho quando decidiu, junto com o marido, adotar Bianca. O casal conheceu a filha em uma entidade assistencial. “Depois entramos para o cadastro do fórum, passamos pelas análises, ganhamos a guarda provisória e finalmente a adoção definitiva”, recorda-se Denise.
Bianca tinha nove meses quando foi para o lar adotivo. Hoje está com cinco anos.
Denise diz ter contado para a filha que ela é adotiva para evitar possíveis problemas futuros. “Ela soube de forma natural. Se no futuro tiver vontade de conhecer os pais biológicos, podemos tentar localizá-los, mas isso vai depender dela. Eu e meu marido não os conhecemos”, comenta Denise.
Fonte: www2.uol.com.br/debate/1153/colunas/colunas07.htm |
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