José Carlos Moreira/Agência BOM DIA |

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O casal Agenor Filho e Lucimar Pereira adotou os irmãos J. e P.: situação rara |
Tardia é a expressão usada para designar a adoção de crianças “mais velhas”. E velho, quando se trata de adoção, significa uma criança de apenas cinco anos de idade.
A exigência, que consta em 96% dos 82 cadastros de candidatos a pais do Cartório da Infância e da Juventude de Rio Preto, cria um grupo de “excluídos”, na fila da adoção da cidade.
Das 24 crianças e adolescentes que esperam em abrigos para ser adotados, 19 estão com idade acima de cinco anos. Destes, nove têm mais de dez anos e, provavelmente, não têm chance de viver em uma nova família.
Aos oito anos, V., hoje com 11, foi adotado. Dois anos depois a família “devolveu” o garoto sob alegação de problemas de relacionamento. Ele voltou para o abrigo, mas está na chamada linha de risco por causa da idade. “A cultura da adoção no Brasil exclui e ainda é preconceituosa. Quando pequenas, hora ou outra, as crianças não atendem aos desejos de cor, cabelo. Depois, estão velhas”, diz a assistente social do Programa Teia Aparecida Vernucci.
Irmãos também são vítimas da exclusão. A Justiça não permite que sejam adotados separadamente.
A última adoção de irmãos foi a de J.B.S, 5 anos, e P.B.S, 1. Há dois meses estão sob a guarda do casal Agenor Filho e Lucimar Pereira.
‘Foi amor à primeira vista‘
Agenor e Lucimar entraram na fila da adoção em 2004 em busca de uma criança. Só em setembro deste ano foram chamados. Conheceram os irmãos J.B.S, 5 anos, e P.BS, 1, no feriado do dia 7. Uma “festinha” foi preparada para receber as crianças.
Na segunda-feria, quando foi entregar as crianças no abrigo, J.B.S não quis ficar. “Tivemos certeza que eram eles. Foi amor à primeira vista”, diz Agenor.
A guarda provisória veio dias depois. “Serem irmãos não nos fez desistir”, diz.
Para celebrar a nova família em grande estilo, esperam a guarda definitiva. “Vamos batizá-los e continuar nossa vida nova, e felizes”.
Números da espera
* Na fila
Hoje 82 pessoas, entre casais e avulsos, estão cadastradas no Cartório da Vara da Infância e Juventude. Destas, 79 querem crianças de até 5 anos.
* No abrigo
24 crianças esperam por adoção. São 16 meninos, sendo 12 acima de 5 anos e oito meninas, sendo 7 com mais de 5 anos.
* Irmãos
Das crianças abrigadas existem quatro casos de irmãos, que significam 9 crianças entre 1 e 7 anos
* Cadastro
Quem deseja fazer adoção deve procurar o Cartório da Vara da Infância e Juventude, preencher o cadastro e aguardar aprovação
Fonte: Cartório da Infância e Juventude e Teia
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Fonte: Jornal Bom Dia – São José do Rio Preto |