Adoção: número de pessoas que querem adotar
é maior do que o de crianças disponíveis
Da Redação
O caso do bebê que foi jogado na lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, despertou o interesse do país para a adoção. Pouca gente sabe, mas, no Brasil, o número de pessoas interessadas em adotar é maior do que o de crianças disponíveis.
"Não existem crianças em número suficiente para atender ao perfil mais desejado pelos pretendentes à adoção, que é o de bebê branco e, de preferência, menina", explica Daniela Alves de Souza, coordenadora do Cecif (Centro de Capacitação e Incentivo à Formação).
As preferências dos pais determinam o tempo de espera para a adoção, que, no caso de uma recém-nascida branca, que é o perfil mais procurado, pode chegar a cinco anos no Estado de São Paulo.
O casal Beda, com dois filhos biológicos adolescentes, já aguarda há um ano para adotar uma menina.
"Quando a gente preencheu a ficha, só exigiu menina", conta o analista de sistemas Roberto Beda . "Na época, a gente queria com até três anos e meio de idade e que não tivesse nenhum problema sério de saúde. Não fizemos restrições à raça."
Segundo o Ipea, existem pelo menos 24 mil crianças em abrigos federais. A maioria vem de famílias de baixa renda. Só depois de esgotadas as possibilidades de reintegração à família biológica é que as crianças podem ser adotadas.
A adoção no Brasil pode ser feita tanto por casais com união estável como por solteiros, viúvos ou divorciados.
"Outro requisito que e lei exige é que o adotante tenha mais de 18 anos e que haja uma diferença de pelo menos 16 anos entre ele e o adotado", complementa o juiz auxiliar da Corregedoria Geral da Justiça Reinaldo Cintra.
"O pretendente deve se dirigir à Vara de Infância e Juventude mais próxima levando os documentos necessários para entrar com o processo de habilitação para adotar", orienta Daniela. "Nesse processo, serão avaliadas a documentação do pretendente e será feita uma análise psico-social. A partir do deferimento da avaliação pelo juiz, a pessoa passa para o cadastro dos pretendentes à adoção. Aí é só esperar."
No entanto, no Brasil é comum registrar uma criança alheia como sendo filho biológico. O juiz adverte: isso é crime.
"Existe uma suspeita séria de que a fila para adoção de crianças pequenas ande devagar porque muita gente faz adoção à brasileira, pegando as crianças direto das mães para não ter quer enfrentar a espera no Judiciário", adverte Cintra.
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