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Delegada diz que menina que morreu em Mauá era agredida por pais biológicos

Criança e irmã foram entregues à adoção porque pais as agrediam.
Polícia suspeita que menina morreu por causa de chute do pai adotivo.
Patrícia Araújo Do G1, em São Paulo

 

Juraci Magalhães de Souza é suspeito de ter matado a filha adotiva de 1 ano e 11 meses com chutes (Foto: Wladimir de Souza/Diário de S. Paulo)

A menina de 1 ano e 11 meses que morreu no sábado (24) em Mauá, no ABC paulista, por traumatismo craniano e, cujo pai adotivo é apontado pela polícia como suspeito da morte, havia sido levada para adoção e retirada dos pais biológicos porque sofria agressão.

A delegada titular da Delegacia da Mulher em Mauá, Helena Vieira de Lima, disse nesta quinta-feira (29) que a menina e sua irmã de 3 anos, que também era agredida, eram de fato irmãs de sangue e haviam sido retiradas dos pais biológicos e colocadas em um abrigo de Mauá para adoção porque sofriam maus-tratos.

As duas haviam sido adotadas pelo ajudante geral Juraci Magalhães de Souza, de 43 anos, e por sua mulher em setembro do ano passado. Segundo a delegada, ela não podia ter filhos e o casal estava desde 1999 no cadastro municipal para adoção. Eles são casados há 12 anos.

Os dois ainda não haviam conseguido a guarda permanente (adoção) das crianças e eram considerados juridicamente guardiões. Com o registro da ocorrência, eles tiveram a guarda da irmã mais velha, de 3 anos, suspensa e ela foi novamente encaminhada para um abrigo para menores da prefeitura de Mauá no último dia 20. A criança está passando por exames psicológicos.

Juraci está preso na Cadeia Pública de Santo André desde a quarta-feira (28). Ele é acusado de lesão corporal e homicídio doloso. Ainda de acordo com Helena Vieira, ele teria admitido que agrediu a menina de 1 ano e 11 meses com chutes.

A mulher dele teria dito que a agressão ocorreu por uma única vez com as crianças, e que ele geralmente era apenas ríspido ao falar. Ela teria dito ainda que Juraci não bebia nem fumava e que nunca havia batido nela. “Em nenhum momento, ela se esquivou de cooperar com a polícia”, disse a delegada que informou ainda que a mãe continua sendo averiguada, inclusive por omissão.

A delegada ainda espera os laudos, mas o inquérito sobre o caso deverá ser concluído nos próximos 30 dias.

 
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No último dia (19), a mãe levou a criança até o hospital municipal Nardini após ela sofrer traumatismo craniano. A criança estava em estado grave, em coma, e foi transferida para o hospital estadual Mário Covas, em Santo André (no ABC paulista), mas não resistiu aos ferimentos e morreu no dia 24. A mãe informou na entrada do hospital que a menina havia se machucado após ter caído no banheiro.

O que despertou a atenção da polícia para o caso foram duas descobertas: a menina que morreu apresentava marcas de agressão que aparentava ter ocorrido antes do suposto acidente; e a denúncia de uma vizinha do casal que informou que a outra filha deles também apresentava marcas de pancadas e mordidas.

 

Em depoimento, a mãe das meninas informou que a menor delas não havia caído do banheiro, mas que o pai havia chutado a cabeça da criança na noite anterior à entrada no hospital Nardini.